
No Estado de Direito, todos são iguais perante a lei. A justiça não existe para assegurar privilégios, mas para garantir que a lei valha para todos, até nas pequenas causas do cotidiano.
CADA CAUSA MELHORA O BRASIL
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| No Estado de Direito, todos são iguais perante a lei. A justiça não existe para assegurar privilégios, mas para garantir que a lei valha para todos, até nas pequenas causas do cotidiano. |
Um caso concreto — e o que ele revela
Uma consumidora solicitou os serviços do FGC. Cadastrou-se, enviou documentos, aguardou. O sistema demorava, não explicava, não resolvia. Repetiu o processo até ser bloqueada. Procurou todos os canais oficiais disponíveis — telefone, e-mail, ouvidoria, Banco Central — sem obter resposta. Recorreu à Justiça. Em audiência, os fatos reais foram deixados de lado e substituídos por argumentos construídos na hora pela defesa.
Não foi um episódio isolado. É um padrão: 5.720 reclamações do FGC no Reclame Aqui em seis meses, apenas 34% respondidas.
O Princípio
O Código de Ética da American Bar Association — a Ordem dos Advogados dos Estados Unidos — estabelece que todo advogado tem obrigação ética de melhorar a lei. Que princípio bonito — e que convite! Porque melhorar a lei não é tarefa só de advogados. É tarefa de cada um que entende seu trabalho e sua postura como meios de melhora social.
Isso começa quando se compreende que justiça não se faz com tecnicalidades acionadas oportunisticamente para proteger poderosos. Faz-se com verdade. Só há justiça com verdade — e só há verdade quando alguém tem a coragem de insistir nela.
Reclamar, com educação e pelos canais certos, é um dever de cidadania. E desistir tem um custo que nem sempre se vê.
O Custo da Omissão
Quando milhares enfrentam o mesmo problema e poucos formalizam, o sistema aprende que pode falhar sem consequências.
Quando muitos formalizam, o sistema precisa responder.
Não é questão de opinião. É estrutura. A falha que não gera consequência se repete. A que é confrontada, muda.
A lei sozinha pode ser instrumento de opressão — foi o que sustentou a escravidão por tanto tempo. É quando a virtude a habita que ela se torna justiça de verdade.
Cada Audiência
Cada audiência julga não apenas o caso concreto — ela também reafirma, ou não, o princípio de justiça por detrás dele.
Neste caso, o princípio é claro: a lei vale para todos, inclusive para o Sistema Financeiro Nacional e suas entidades. Inclusive para o FGC.
Audiências também formam padrão. Quem observa aprende o que é tolerado e o que não é. Se o erro passa, ele fica. Se é confrontado, ele muda. Havia estudantes de Direito na audiência descrita acima. O que aprenderam depende do que viram.
O que o Cidadão pode Fazer
Registrar reclamação no Procon, no Consumidor.gov, no Reclame Aqui. Acionar o Juizado Especial — gratuito, sem advogado para causas até 20 salários mínimos. Não aceitar o silêncio como resposta. Não interpretar a omissão como normalidade.
Cada causa levada adiante é um ajuste no sistema. Cada insistência é um limite ao erro.
Para se inspirar
Quer ver na tela grande como os tribunais, como cada causa pode mudar um país? Assista Amistad (1997), de Steven Spielberg — a história de como tribunais independentes podem romper com o poder estabelecido e mudar o curso da história.
E se quiser entender por que no Brasil certas coisas "sempre foram assim", vale mergulhar em Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, A Elite do Atraso, de Jessé Souza, e A Integração do Negro na Sociedade de Classes, de Florestan Fernandes. São leituras que iluminam o presente.
Bom fim de semana — e se tiver uma causa pendente, já sabe o que fazer.
Conclusão
Melhorar o Brasil não é uma ideia distante. É prática.
Acontece quando alguém reclama, registra, formaliza, insiste. Cumpre-se quando o cidadão não aceita o funcionamento defeituoso como se fosse normal.
Ninguém está acima da lei — mas isso só se sustenta quando alguém insiste nisso.
BOAS MANEIRAS
VIRTUDES
DOUTRINA CATÓLICA
MALUM
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